ESCRITO DE TERÇA | Sapatos Vermelhos!


Depois de tanto admirar aquele belo par, desfilando todos os dias na calçada de minha casa - Oh! como eu invejava aqueles paralelepípedos sempre recebendo o toque e a leveza daqueles belos sapatos vermelhos. Sapatos tão belos que todos os fins de semana saíam para dançar, como se fossem se descosturar a qualquer momento.
Enfim! Naquela quente sexta-feira de novembro, finalmente tomei coragem e chamei aquele perfeito par vermelho para sair. Me lembro, como se fosse ontem, de seus cabelos opacos amarrados num rabo de cavalo comum assim como seus olhos escuros e seu sorriso de satisfação ao ser chamada para sair, mas seus sapatos… Oh! Aquele par de sapatos me seduzia! O vermelho envernizado, bem polido e de maneira charmosa levemente desgastado, sambava e contrastava com o calor que emanava do asfalto.
Passei o dia com esse encontro na cabeça, imaginando qual dos meus humildes calçados estariam a altura dos “Sapatos Vermelhos”, aquela perfeição que parecia flutuar como pétalas de rosa mas nada parecia impedir a ousadia do chão em toca-los, por fim escolhi meu melhor sapato de veludo azul, uma inspiração pro Elvis era o máximo que tinha a oferecer aquela perfeição.
No horário combinado passei na casa de meu encontro, ela saiu de sua casa com um vestido preto de saia rodada, cabelos soltos, pouca maquiagem e minha maior decepção, um par de saltos pretos. Provavelmente confortáveis, mas doía em meus olhos, agonizava em meus ouvidos aquele “tec tec tec” irritante, tão diferente da suavidade do Sapato Vermelho.
No jantar a comida parecia sem gosto e a conversa extremamente entediante, no bar a bebida parecia uma mera imitação barata enquanto que a pista de dança se mostrava morta e sem harmonia. Até que lá longe, dentre os mais variados feixes de luz, dançando de maneira apaixonante avistei o par de lábios vermelhos mais bonitos que já vi, mais perfeitos que o mais precioso dos rubis. Como num clique a música voltou, quando então aqueles lábios rubros decidiram sorrir para mim, fogos de artifício explodiram em minha mente e como um gozo mental uma paixão rubra acabara de florescer.

Mariana Azevedo 2013

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